Mostrando postagens com marcador erros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador erros. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Obsessões jornalísticas

Sou obsessiva por natureza. Já passei do tempo de achar que isso era coisa tratável. Faço terapia, é lógico, mas ser obsessiva é marca indelével. Sou "cria" da Folha, mais precisamente do Projeto Folha. Entrei na eleição do Tancredo. Devia selecionar artigos para uma coluna que foi criada então sobre a Constituinte. Fui para a Folha, como muitos naqueles tempos, porque não era completamente ignorante e escrevia bem. Conhecia vários desde o colégio e eram outros tempos. Tempos de ditadura. Nós, aqueles que podiam porque era seguro, tínhamos grupos de estudos. Líamos Marx e discutíamos. Estudávamos o Tropicalismo e tínhamos um bom grupo aos sábados, tarde toda, na casa de meu grande amigo André. Vários de nós, que fizemos parte desse grupo, viramos jornalistas quando o Otavio assumiu e começou seu projeto. Era uma batalha contra os maus hábitos: repórteres que só reporteavam e não eram capazes de escrever duas linhas em português; jornalistas que acabavam com a credibilidade e a honra das pessoas sem nem ouvi-las; textos melosos e sentimentalistas sem uma informação mesmo e, a coisa que sempre me deixou mais obcecada: não checavam nada, nem grafia dos nomes, das cidades, idade, profissão e outros detalhes. Olhavam e respondiam com desdém nossos questionamento - então já era redatora.
Nunca me havia imaginado trabalhando num jornal, e não nego que minha primeira semana na redação me deixou pasma. Uma gritaria, xingamentos, brigas abertas, e o mais chocante, alegria com a notícia, mesmo que a notícia fosse um incêndio que estava matando dezenas de pessoas. Não queria acreditar que pessoas "normais" não ficassem chocadas e condoídas com uma tragédia ali, debaixo de suas fuças, que podia ser com um amigo, um parente. Demorei para entender esse fascínio pela notícia, mas depois de uma semana, foi como se tivesse me achado. Eu tinha sido feita para isso. A adrenalina é meu alimento e o caos o meu habitat, ou seja, nasci para uma redação.
Lamento essas redações silenciosas de hoje. Elas me deprimem e entristecem. Fazemos um jornalismo pior desde que paramos de falar todos com todos o tempo todo. Falamos por msn com nosso vizinho. Não perguntamos, damos um google. Não pedimos uma opinião, não há tempo para isso. Não se pode gritar nem para avisar uma emergência porque isso "prejudica o clima" e ainda corremos o risco de um processo por "assédio moral". Melhoramos no respeito ao trabalho. Fui chamada de imbecil, idiota etc. várias vezes e em altos brados. Sobrevivi e, honestamente, não só não guardo ressentimento como agradeço tudo que aprendi, mesmo desse jeito tosco. Nunca chamei ninguém de imbecil, mas confesso que muitas vezes tive vontade, até porque eram uns imbecis mesmo. Parei de gritar porque não me permitiam, mas ainda defendo que se fale as coisas alto, que o erro de um é uma lição para todos, que aprender e entregar um conteúdo noticioso bom, claro e correto é bem mais importante do que essas "delicadezas" silenciosas, mas... sou batalha perdida. Ninguém está nem aí para o leitor, o importante é ser "tratado com respeito" e isso inclui não receber críticas pesadas, não ser advertido com austeridade, não ser criticado com veemência, ou seja, confiamos que o ser humano é muito melhor do que, de fato, ele é.
Percebo que não há a menor preocupação com grafia de nomes, por exemplo. Grafam os nomes de seus próprios colegas errado. Copiam ou chupam informações de concorrentes na maior confiança e assim os erros se reproduzem em escala geométrica na web, por exemplo. Confiam em uma única fonte e aceitam o off mesmo que a fonte tenha interessa claro e direto na veiculação da informação, nem percebem isso, não questionam. A distância entre pauta e matéria foi encurtada a ponto de a primeira virar a segunda um pouco mais recheada.
Desafio que qualquer um leia 10 textos em qualquer portal e não encontre pelo menos um errinho ou uma discrepância de informação em oito deles.
Agora, não conseguirem grafar de um mesmo jeito o nome de uma pessoa, isso me inferniza. É uma coisa tão simples - por favor, você poderia soletrar o seu nome? ou como está grafado no site oficial? Meio minuto a mais. Não acredito que nem isso seja possível!
Bom, sobre correção, falo outra hora. É um caso à parte porque só corrige quem admite que pode ter errado e aí...

sábado, 2 de maio de 2009

E quando vc conhece a história

Algumas vezes, desde que sou jornalista, tive a infeliz oportunidade de "pertencer" ao fato. Eu estava lá, eu conhecia a história, participei dela. A mais terrível foi a morte de meu irmão, o Marcelo Fromer, guitarrista dos Titãs, atropelado por um motoboy. Quem sabe a história, dê um Google. Terão uma vaga ideia. Reuni-se sob seu nome uma colcha de retalhos, desconexa, com informações contraditórias, erros. inverdades, besteiras. Agora vejam: sou jornalista. conheço o desagradável trabalho que é ter de ficar fuçando por informações numa situação com essa. Meu irmão passou dois dias em coma antes de morrer.
Falei com minha família no primeiro momento sobre esse infame trabalho de "urubu", voando sobre a carniça, que não era escolha mas obrigação da mídia, de meus "colegas". Chamei a todos e me comprometi pessoalmente a informá-los, com total transparência, cada novo "fato". A condição era que não incomodassem minha mãe. os filhos dele, os filhos de minha irmã e o meu. Nada muito complexo; nada que impedisse o bom exercício do jornalismo. Dei-lhes meu celular para em caso de dúvida, me consultassem. Eles ficariam do lado de fora do hospital. Meu irmão, minha irmã, eu, os Titãs, os médicos, a assessoria do hospital falaríamos, como de fato fizemos, a qualquer momento que houvesse a menor novidade.
Até hoje não consigo entender como que nenhuma mídia, nem jornais, revistas, internet, rádios, tvs cometeram, no mínimo, deslizes. Não há um único texto que não tenha pelo menos um erro. O nome dos filhos, o estado de saúde, o que houve no acidente, enfim.
Sempre achei e sei que jornalismo é uma máquina de produzir erros. Desconfio de qualquer informação que chega. Os "jovens" repórteres me detestam. Ficam irritadíssimos com meu questionamento a suas informações. Dezenas de vezes discuti com editores, redatores, repórteres que estamos falando da vida de pessoas, que poderiam ser nossos irmãos, pais, amigos, que devemos a verdade ao leitor, que é esse o nosso papel e a nossa missão. É o nosso trabalho: ganhamos para informar corretamente.
Aproveitando que resolvi falar do tema, que evitei nesses 8 anos desde a morte do Marcelo, vamos a outro ponto que, esse sim, me chocou.
Estávamos em choque. Perder um irmão, pai, filho aos 39 anos, é mais do que chocante, é arrasador. Mesmo assim, resolvemos doar os órgãos. Era o nosso jeito de mostrar que esse é um ato importante.
Acompanhei pessoalmente toda a terrível tramitação que isso representa para a família e qual não foi meu horror, ao assistir o Fantástico, no domingo, com a cena do transplante do coração de meu irmão. Fomos submetidos a tudo, que só a total insensibilidade jornalística da Globo seria capaz de "promover". Desde o coração sendo transportado até ele batendo no peito do receptor. Era o show da vida para a a tv e o show da morte para nós. Não nos consultaram, não pensaram o que isso podia representar para minha mãe e para seus filhos. Não respeitaram o fato de termos sido honesto e abertos às necessidades de informação. Médicos, jornalistas, hospitais queriam se promover. Não havia necessidade daquilo. Informação completamente dispensável. Brutalidade pura, insensibilidade desumana. Mentiras e mais mentiras a cada frase.
Fazemos um jornalismo que não considera os sentimentos humanos. Fazemos um jornalismo que não se preocupa com a verdade. Não fazemos jornalismo então.
Hoje leio sobre a morte do Boal, que também conhecia bem, em todos os portais a reprodução dos mesmos erros. A informação superficial. Era, sem dúvida, não por escolha minha, mas da Unesco, o maior dramaturgo que o Brasil teve. Fez pelo teatro e pelo país o que poucos tiveram a oportunidade de fazer. Nada, nem uma bibliografia, nem uma lista básica dos livros que escreveu, das peças que dirigiu, do trabalho que mudou o "como" fazer teatro.
No caso, imagino que a "juventude" das redações não souberam avaliar a importância dele.
Nós, jornalistas, devemos muito aos leitores - somos ignorantes e não nos envergonhamos disso. Repassamos os erros para a história. Estamos cada vez mais longe da nossa função: informar a verdade.
Triste pertencer a isso. Mais valia vender cachorro-quente numa van, pelo menos não contribuiríamos para a mediocridade.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

O leitor é o melhor

Adoro os leitores! Não só pelo óbvio fato que "vivo" deles, mas, e principalmente, porque são de um bom senso fantástico, muito divertidos e super gentis. Compartilho:

assunto_email=APREENSÃO DE DROGAS
mensagem=QUAL O TAMANHO DAS MALAS PARA CABER 56 T DE DROGAS, NÃO SERIA 56 KG?

assunto_email=56 TONELADAS DE MACONHA
mensagem=AMIGOS,A GUISA DE COLABORAÇÃO. ACREDITO ESTAR HAVENDO ERRO NO TITULO DA MATÉRIA DE CAPA "APREENDIDAS 56 TONELADAS DE MACONHA EM ÔNIBUS",COMPLEMENTADA COM A INFORMAÇÃO QUE A DROGA ESTAVA EM DUAS MALAS DE PASSAGEIROS DO ÔNIBUS FISCALIZADO NA RODOVIA 333, POIS É SIMPLESMENTE IMPOSSÍVEL - FORA AS MALAS - UM ÔNIBUS CARREGAR 56 TONELADAS DE BAGAGEM.DESCULPEM SE ESTAMOS SENDO INOPORTUNOS. GRATO
Genial! Gosto até mais do segundo que se dá ao trabalho de nos explicar que não só não caberia nas malas, mas que um ônibus não transporta 56 toneladas! E "Desculpem se estamos sendo inoportunos" merece um "beijo na boca".

assunto_email=Correções
mensagem=Olá! Estou escrevendo para dizer que encontrei diversos erros no site (alguns de português, como 1,5 MILHÕES de pessoas; outros, como na matéria sobre o Museu de Relacionamentos Rompidos, de falta de concordância e repetições). Não quero ser chata, mas é só para dar uma avisada para revisarem melhor os textos antes de colocá-los online. Grata pela atenção.
Por isso que digo que são super gentis "não quero ser chata, mas é só para dar uma avisada..."
assunto_email=Português!!!!!!!
mensagem=O revisor estava de férias!!!kkk!Defeito de degustação do leite: "Todas são combatidas por empresas idôneas e são prescritas na fiscalização de sanidade."
Não só o revisor, caro leitor, mas também o cérebro de quem escreveu.

assunto_email=molécula química
mensagem=de novo, vocês pegam uma tradução o errada da agência Efe e publicam.Na notícia sobre molécula que bloqueia a replicação do vírus HIV, o texto diz que pesquisadores franceses descobriram uma molécula química.....pergunto: existe molécula que não seja química? pra que usar química depois de molécula? não tem um editor capaz de ver que isto é quase um pleonasmo? Que tal parar com o cafezinho e prestar atenção no que publicam? nem só de ignorantes é o publico que acessa este portal....
Antes fosse só parar com o cafezinho...