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domingo, 19 de julho de 2009

Escola para quê?

Vale a pena ler! Acabem com as escolas de jornalismo - concordo totalmente. Não estudei jornalismo e digo sem falsa modéstia que sou uma jornalista muito melhor (escrevo melhor, tenho uma ética de vida clara e justa, gosto de notícia, acredito na importância da informação para a vida das pessoas, tenho clareza da organização de uma redação, desconfio de minhas certezas constamente, detesto uma vida monótona) do que a imansa maioria daqueles que passarm 4/5 anos nas faculdades de jornalismo - boas ou ruins, não fazem a menor diferença no resultado final: formar um profissional da informação.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Jornalismo e números

Quem trabalhou comigo sabe muito bem, sempre "proibi", nas redações que comandei, que jornalistas fizessem cálculos numéricos de qualquer tipo. Somos muito ruins com os números. Não importa o quanto achemos que não, mas somos. Tive provas super desagradáveis com o tema: Vi a manchete do jornal começar a rodar informando que um candidato estava 3% acima nas pesquisas quando, na verdade, ele estava 3 pontos percentuais. Não pretendo explicar aqui a diferença - repito: jornalistas não devem lidar com números e ponto.
Há profissionais especializados: economistas, estatísticos, pesquisadores, enfim pessoas devidamente habilitadas para colaborarem com os jornalistas na sua função básica que é informar o leitor corretamente.
Há anos o Carlinhos Brickman fala que os números da Parada Gay de São Paulo são absurdos, non sense. Todos se fingem de surdos ou consideram "preconceituoso" desmentir a organização do evento. Insisto porque quero crer que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura". Então vamos lá.
Temos informações variadas sobre o tamanho da Paulista, algo entre 2.500m e 2.800m de comprimento por entre 48m e 55m de largura. Vamos pelos números maiores porque isso favoreceria os dados "oficiais".
A Paulista tem, portanto, 154 mil m2. Conta simples, de vezes, como ensinou-me minha professora do 2º ano primário, multiplicação.
2.550 x 55 = 154.000
Até aqui nada muito complexo.
Pelos manuais de ocupação territorial, o aconselhável é calcular que cada pessoa ocupa 1m2, mas que "socadas" caberiam até 4. Em caso de dúvida, risque 1m2 na Redação e coloque quatro gordinhos dentro. Então teríamos, com a Paulista bufando de gente e todo mundo tomando muito cuidado para não pisar no "calo" do outro, sem trio elétrico, sem carrinho de comidas, bancas de jornais etc., 616 mil pessoas.
Outra vez, conta de "vezes".
154.000 x 4 = 616 mil
Ops! Há anos já passamos desse número. Passamos não, quintuplicamos, ou seja, enfiamos uma média 23 pessoas por m2. Pago o mico para o jornalista que conseguir enfiar 12 pessoas em 1m2. Dou os outros 11m2 de lambuja.
Mais do que isso, se considerarmos que a população de São Paulo é 19 milhões de habitantes, significa que 18,5% da população foi à Parada Gay. Vamos lá, desses 19 milhões, cerca de 2.600 estão na faixa entre 0 e 14 anos e quase 1 milhão têm mais de 60 anos. Nada impede que eles fossem (ou foram e vão) à Parada, mas, digamos, que a probabilidade é menor. Assim nos resta 15.400.000, ou seja, 23% da população da cidade. O bom senso diz que isso é muitíssimo pouco provável que 1/4 de São Paulo vá à Parada Gay.
Vamos tentar entender que não existe evento na Paulista, nem ocupada de ponta a ponta só por gente, que chegue a 700 mil pessoas, e tudo bem, já é gente pra caramba.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Como aliados tornam-se inimigos

Trabalhei em algumas redações, como, em geral, todos os jornalistas. Acho isso saudável -- diminui os riscos que os "vícios" representam para o fazer jornalístico. Redações são neuróticas, cheias de manias, de pode-e-não-pode. Muitos egos gigantes reunidos num mesmo ambiente boa coisa é que não podia dar. Jornalistas se acham. Assim, essa mudança de "cadeiras" tem duas funções importantes:
1. Faz com que chefes virem subalternos e vice-versa, de tempos em tempos, às vezes para o bem e outras tantas para o mal. Vai depender muito do que juntar - quem com quem. De qualquer forma, amansa os egos. Recoloca ou desloca cada um de seu reinado. Só por isso já valeria.
2. Mostra que há culturas diferentes, que nem tudo estava "certo" e nem tudo estava "errado" na "outra" redação, e que precisamos sempre pensar sobre o que estamos fazendo. Há várias formas, não há isenção e nem certo e/ou errado. Decidir por qual forma, qual o "certo" e o "errado" é tarefa cotidiana, exige atenção, reflexão, informação e conhecimento, pelo menos. Ou seja, ver que se faz jornalismo de formas diferentes em lugares diferentes nos torna mais atentos e questionadores, o que é fundamental para o bom jornalismo.
Mas, tirando essa parte teórica da dança de cadeiras, há a parte "prática" - a vida "humana" nas redações. Não há série ou filme capaz de descrever. Imitam, mas não chegam nem aos pés. De fato, seria muito patético unir a pretensão com a mediocridade e fazer disso algo minimamente interessante. Mas, concordo que estamos muito mais para essas comédias de exageros do que para uma boa história humana. Muitas vezes desconfio da "humanidade" dos jornalistas, tendemos a nos desumanizar.
Então, como eu ia dizendo, há a vida humana das redações que, nas voltas que a vida dá, faz aliados virarem inimigos e inimigos, aliados num piscar de olhos. Nunca conheci pessoas tão rígidas no julgamento alheio e tão frouxas em seu próprio como jornalistas. Sempre briguei por isso nas redações que trabalhei. Sempre alertava as equipes sobre "nossos vícios e mazelas". Mas é pregar no deserto, bem sei. Mal temos tempo para ser, que dirá para pensar, refletir.
Enfim, o fato é que estou relendo textos sobre a Segunda Guerra por causa de um trabalho que estou fazendo. É incrível como a escolaridade é inútil - não me lembrava de quase nada. Lógico que não sou debilóide e, portanto, sei datas, fatos importantes, o básico para não fazer feio. Relendo me pasmo mais uma vez de como os aliados de ontem se tornam os inimigos de hoje. Se é fácil assim fazer isso entre países, potências, milhões de pessoas, que dirá numa redação!!!
Tenho poucos inimigos meus, de minha escolha e arbítrio. Sei que tenho vários que se consideram meus inimigos. Contava com isso desde o início, da primeira vez que me tornei chefe, fui bem "escolarizada" pelo Otavio e pelo André, e portanto, não chego a me chatear. Na maioria dos casos que tenho informação, acho besteira fazer de mim uma inimiga, não me considero merecedora desse "cargo", mas... como também eu tenho os meus, então não serei o juiz.
Trabalho bem a troca de cadeiras. Em geral, tive sorte. Quando subordinados viraram chefes já tinham muito para me ensinar e podíamos compartilhar do pensar jornalismo (coisa rara nas redações, por incrível que pareça). Do meu ponto de vista, foram boas parcerias.
Mas, vi coisas de não se acreditar. Comportamentos de invertebrados. O coleguismo reina nas redações. Trabalhei em redações nas quais o companheirismo (que em nada se assemelha a coleguismo) reinava, e foi realmente muito bom. Fizemos acontecer. Nunca me esquecerei os fechamentos escalonados e todos os editores ajudando a fechar política e primeira página, mesmo depois de já haverem fechado suas editorias. De pedirem para suas equipes ajudarem e depois nem precisarem mais pedir porque também elas já faziam, por gosto, acreditem, por gosto mesmo. Também não vou esquecer, editores se pegando no tapa (literalmente) por um terminal de computador de "1º nível", que descia as matérias para o past-up. Tempos de past-up... Cultura de redações, como eu dizia.
Sou rígida, mas muito rígida mesmo, nos critérios de pessoas com quem trabalho e pessoas com quem não trabalho. Uso um único critério: caráter, aquilo que se forma ao longo da vida baseado em valores éticos. Pouco me importa se simpatizo, se acho divertido, se simpatiza comigo e todas essas baboseiras correlatas, mas, não topo mau-caráter. Não sei lidar com eles. Sempre aparece aquele luminosos "trouuuxa" na minha testa. Eles me passam a perna. Não confio na informação que eles trazem -- que garantia eu tenho de que ele, pelo menos, tentará contar a verdade para o leitor? Acho eles um perigo numa redação - típico caso de "uma laranja podre apodrece o cesto inteiro". Não aceito comandar mau-caráter. Mas ser comandada por um deles... sobre isso não há escolha, muitas vezes. Você está lá, fazendo seu trabalho, fazem uma reviravolta de poderes (muito comum no mundo corporativo para acomodar os "aliados da hora") e manézinho(a) vira seu chefe. Uauauauauau... você respira fundo, seu trabalho, o mercado, o salário, a terapia, o... e, toca em frente. Com sorte, a coisa se "desfaz" rapidamente. Não só eu fui esperta e percebi que se tratava da pessoa errada no lugar errado na hora errada, ou seja, tudo errado. E os outros que perceberam , e que podiam, também percebem que o "aliado da hora" pode virar a pedra para o inimigo atirar em seu telhadinho de vidro e, então, espertamente, se "desfazem" dela(a) e você se livra, por consequência, é verdade, mas enfim, se livra.
Não há nada pior do que trabalhar com mau-caráter como chefe(s). Eles aceitam, com prazer, outros da sua "espécie". Fomentam os piores valores como a hipocrisia, a bajulação, os "protegidos", os "inimigos de ocasião", o individualismo e o consequente personalismo, o autoritarismo no lugar da razão, o que se diz no lugar da justiça. Fazem, com a maior facilidade, dos aliados inimigos (o que é bem pior do que fazer dos inimigos aliados). Sem escrúpulos, sem coração.
E, em tempos de "Che", aproveito... "hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás".
P.S. Uso redação e redações em caixa-baixa para não esquecer a condição de sermos (e devemos ser) caixa-baixa, se é que me entendem).

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Obsessões jornalísticas

Sou obsessiva por natureza. Já passei do tempo de achar que isso era coisa tratável. Faço terapia, é lógico, mas ser obsessiva é marca indelével. Sou "cria" da Folha, mais precisamente do Projeto Folha. Entrei na eleição do Tancredo. Devia selecionar artigos para uma coluna que foi criada então sobre a Constituinte. Fui para a Folha, como muitos naqueles tempos, porque não era completamente ignorante e escrevia bem. Conhecia vários desde o colégio e eram outros tempos. Tempos de ditadura. Nós, aqueles que podiam porque era seguro, tínhamos grupos de estudos. Líamos Marx e discutíamos. Estudávamos o Tropicalismo e tínhamos um bom grupo aos sábados, tarde toda, na casa de meu grande amigo André. Vários de nós, que fizemos parte desse grupo, viramos jornalistas quando o Otavio assumiu e começou seu projeto. Era uma batalha contra os maus hábitos: repórteres que só reporteavam e não eram capazes de escrever duas linhas em português; jornalistas que acabavam com a credibilidade e a honra das pessoas sem nem ouvi-las; textos melosos e sentimentalistas sem uma informação mesmo e, a coisa que sempre me deixou mais obcecada: não checavam nada, nem grafia dos nomes, das cidades, idade, profissão e outros detalhes. Olhavam e respondiam com desdém nossos questionamento - então já era redatora.
Nunca me havia imaginado trabalhando num jornal, e não nego que minha primeira semana na redação me deixou pasma. Uma gritaria, xingamentos, brigas abertas, e o mais chocante, alegria com a notícia, mesmo que a notícia fosse um incêndio que estava matando dezenas de pessoas. Não queria acreditar que pessoas "normais" não ficassem chocadas e condoídas com uma tragédia ali, debaixo de suas fuças, que podia ser com um amigo, um parente. Demorei para entender esse fascínio pela notícia, mas depois de uma semana, foi como se tivesse me achado. Eu tinha sido feita para isso. A adrenalina é meu alimento e o caos o meu habitat, ou seja, nasci para uma redação.
Lamento essas redações silenciosas de hoje. Elas me deprimem e entristecem. Fazemos um jornalismo pior desde que paramos de falar todos com todos o tempo todo. Falamos por msn com nosso vizinho. Não perguntamos, damos um google. Não pedimos uma opinião, não há tempo para isso. Não se pode gritar nem para avisar uma emergência porque isso "prejudica o clima" e ainda corremos o risco de um processo por "assédio moral". Melhoramos no respeito ao trabalho. Fui chamada de imbecil, idiota etc. várias vezes e em altos brados. Sobrevivi e, honestamente, não só não guardo ressentimento como agradeço tudo que aprendi, mesmo desse jeito tosco. Nunca chamei ninguém de imbecil, mas confesso que muitas vezes tive vontade, até porque eram uns imbecis mesmo. Parei de gritar porque não me permitiam, mas ainda defendo que se fale as coisas alto, que o erro de um é uma lição para todos, que aprender e entregar um conteúdo noticioso bom, claro e correto é bem mais importante do que essas "delicadezas" silenciosas, mas... sou batalha perdida. Ninguém está nem aí para o leitor, o importante é ser "tratado com respeito" e isso inclui não receber críticas pesadas, não ser advertido com austeridade, não ser criticado com veemência, ou seja, confiamos que o ser humano é muito melhor do que, de fato, ele é.
Percebo que não há a menor preocupação com grafia de nomes, por exemplo. Grafam os nomes de seus próprios colegas errado. Copiam ou chupam informações de concorrentes na maior confiança e assim os erros se reproduzem em escala geométrica na web, por exemplo. Confiam em uma única fonte e aceitam o off mesmo que a fonte tenha interessa claro e direto na veiculação da informação, nem percebem isso, não questionam. A distância entre pauta e matéria foi encurtada a ponto de a primeira virar a segunda um pouco mais recheada.
Desafio que qualquer um leia 10 textos em qualquer portal e não encontre pelo menos um errinho ou uma discrepância de informação em oito deles.
Agora, não conseguirem grafar de um mesmo jeito o nome de uma pessoa, isso me inferniza. É uma coisa tão simples - por favor, você poderia soletrar o seu nome? ou como está grafado no site oficial? Meio minuto a mais. Não acredito que nem isso seja possível!
Bom, sobre correção, falo outra hora. É um caso à parte porque só corrige quem admite que pode ter errado e aí...

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

O leitor é o melhor

Adoro os leitores! Não só pelo óbvio fato que "vivo" deles, mas, e principalmente, porque são de um bom senso fantástico, muito divertidos e super gentis. Compartilho:

assunto_email=APREENSÃO DE DROGAS
mensagem=QUAL O TAMANHO DAS MALAS PARA CABER 56 T DE DROGAS, NÃO SERIA 56 KG?

assunto_email=56 TONELADAS DE MACONHA
mensagem=AMIGOS,A GUISA DE COLABORAÇÃO. ACREDITO ESTAR HAVENDO ERRO NO TITULO DA MATÉRIA DE CAPA "APREENDIDAS 56 TONELADAS DE MACONHA EM ÔNIBUS",COMPLEMENTADA COM A INFORMAÇÃO QUE A DROGA ESTAVA EM DUAS MALAS DE PASSAGEIROS DO ÔNIBUS FISCALIZADO NA RODOVIA 333, POIS É SIMPLESMENTE IMPOSSÍVEL - FORA AS MALAS - UM ÔNIBUS CARREGAR 56 TONELADAS DE BAGAGEM.DESCULPEM SE ESTAMOS SENDO INOPORTUNOS. GRATO
Genial! Gosto até mais do segundo que se dá ao trabalho de nos explicar que não só não caberia nas malas, mas que um ônibus não transporta 56 toneladas! E "Desculpem se estamos sendo inoportunos" merece um "beijo na boca".

assunto_email=Correções
mensagem=Olá! Estou escrevendo para dizer que encontrei diversos erros no site (alguns de português, como 1,5 MILHÕES de pessoas; outros, como na matéria sobre o Museu de Relacionamentos Rompidos, de falta de concordância e repetições). Não quero ser chata, mas é só para dar uma avisada para revisarem melhor os textos antes de colocá-los online. Grata pela atenção.
Por isso que digo que são super gentis "não quero ser chata, mas é só para dar uma avisada..."
assunto_email=Português!!!!!!!
mensagem=O revisor estava de férias!!!kkk!Defeito de degustação do leite: "Todas são combatidas por empresas idôneas e são prescritas na fiscalização de sanidade."
Não só o revisor, caro leitor, mas também o cérebro de quem escreveu.

assunto_email=molécula química
mensagem=de novo, vocês pegam uma tradução o errada da agência Efe e publicam.Na notícia sobre molécula que bloqueia a replicação do vírus HIV, o texto diz que pesquisadores franceses descobriram uma molécula química.....pergunto: existe molécula que não seja química? pra que usar química depois de molécula? não tem um editor capaz de ver que isto é quase um pleonasmo? Que tal parar com o cafezinho e prestar atenção no que publicam? nem só de ignorantes é o publico que acessa este portal....
Antes fosse só parar com o cafezinho...